Agosto no terreno: a missão em Chumviyere, no Quénia

Durante o mês de agosto, a Fundação Allamano esteve em Chumviyere, no Quénia, onde acompanhou de perto a construção de um novo espaço destinado ao pré-escolar da comunidade.

A missão partiu com um plano definido. O objetivo principal era construir três salas de aula e preparar o espaço exterior. No entanto, estar no terreno permitiu perceber rapidamente que havia outras necessidades que também precisavam de resposta.

O projeto foi, por isso, crescendo ao longo das semanas.

Três salas e muito mais

A construção das três salas foi o ponto de partida.

Os voluntários participaram em diferentes fases do trabalho, desde a limpeza e preparação do terreno até às pinturas e à organização dos espaços.

À medida que a obra avançava, tornou-se evidente que não bastava ter salas de aula. Era necessário pensar no funcionamento diário da escola e nas condições que as crianças iriam encontrar quando começassem a utilizar o espaço.

Foi a partir dessa realidade que surgiram novas intervenções.

Durante o mês de agosto foi construída uma cozinha e criado um refeitório. Foi também instalada uma fonte de água e aumentada a capacidade de armazenamento de água.

No exterior, foi preparado um campo de jogos, criando uma zona própria para as crianças brincarem e realizarem atividades.

Os trabalhos incluíram ainda a limpeza e preparação de uma área com cerca de 60 por 50 metros, bem como pinturas pedagógicas e outras tarefas necessárias para deixar o espaço preparado para receber as crianças.

Um projeto que foi crescendo no terreno

Nem tudo o que acabou por ser feito estava previsto antes da partida.

Foi precisamente a permanência em Chumviyere que permitiu perceber aquilo que faltava.

Há necessidades que são difíceis de identificar à distância. Só estando no local é possível perceber como os espaços são utilizados, conversar com quem ali vive e compreender melhor aquilo que pode fazer diferença no dia a dia.

Foi assim que um projeto inicialmente centrado na construção de três salas acabou por incluir também uma cozinha, um refeitório, acesso à água, armazenamento de água e um espaço para atividades e jogos.

Não foi uma mudança de plano no sentido de abandonar aquilo que estava previsto. Foi uma adaptação à realidade que encontrámos.

Um mês de trabalho conjunto

A experiência em Chumviyere foi também marcada pelo trabalho diário entre voluntários, pessoas da comunidade e quem acompanha localmente o projeto.

Houve dias de trabalho mais pesado, alterações ao que estava planeado e pequenas decisões que tiveram de ser tomadas no momento.

Ao mesmo tempo, foi possível acompanhar todos os dias a evolução da construção e perceber como o espaço começava a ganhar forma.

Para quem participou na missão, essa foi talvez uma das partes mais importantes da experiência: ver diretamente o resultado do trabalho realizado e perceber que cada nova intervenção respondia a uma necessidade concreta.

Durante a estadia foi ainda entregue uma doação de cerca de 1.000 peças, entre materiais, equipamentos e outros bens destinados a apoiar a comunidade.

Estar no terreno faz diferença

A missão de agosto mostrou também a importância de acompanhar os projetos de perto.

A partir de Portugal é possível planear, preparar materiais, definir objetivos e organizar recursos. Mas o contacto direto com a comunidade permite perceber aspetos que dificilmente aparecem num plano de atividades.

Em Chumviyere, foi esse contacto que permitiu adaptar o trabalho e fazer mais do que aquilo que estava inicialmente previsto.

No final do mês, o resultado era um espaço bastante mais completo do que aquele que tinha sido pensado no início: três salas de aula, uma cozinha, um refeitório, uma fonte de água, capacidade de armazenamento de água, um campo de jogos e uma área exterior preparada para utilização pelas crianças.

Agosto terminou, mas o trabalho em Chumviyere não termina aqui.

A experiência no terreno permitiu construir, mas também conhecer melhor a comunidade e perceber de forma mais concreta quais podem ser os próximos passos.

Texto: Carlos Andres Erazo Giraldo

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